terça-feira, 11 de maio de 2010

Sapato Novo

"Poderia até pensar que foi tudo sonho.
Ponho meu sapato novo e vou passear
sozinho, como der, eu vou até a beira.
Besteira qualquer,
nem choro mais.
Só levo a saudade morena,
é tudo que vale a pena."
(MARCELO CAMELO)
parabéns. (Y)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Eu tenho medo de cara feia, mas não da sua.

justamente porque sua cara de mal não me assusta mais, é que eu ainda não falei aham.

Eu te vejo nervoso e muito puto, me falando umas coisas feias e depois se arrependendo delas todas. De verdade, eu sei que a culpa é toda minha de você estar assim, mas não tô com um pingo de pena. E não é maldade minha. É só que eu não preciso mesmo ter pena de você. Não estou lidando com um perdedor, ué. Eu sei que você vai conseguir isso tudo que vive tentando me dizer. E eu me conheço também. Daqui a pouco eu é que vou estar apaixonadinha e sem noção. ridícula, de tão na sua. Mas enquanto você quebra a cabeça chegando lá, e ainda não quebrou meu coraçãozinho brega,
eu vou cozinhando. :)

domingo, 2 de maio de 2010

Dispensar não é não pensar

Todos os dias antes de acordar, eu me despeço do cara mais incrível da Via Láctea. É verdade que eu não sei muita coisa sobre ele, apesar de vê-lo quase todos os dias (você já sabe, há aqueles dias em que não durmo). Quero dizer, na verdade não sei é dessas coisas que as pessoas costumam perguntar sobre ele - e é por isso que agora faço pirraça e nem conto mais, pra ninguém, hmpf. Mas de resto, sei até bastante coisa. Sei das covinhas de todos os sorrisos dele, e de todas as caras que ele faz, inclusive a de mau, a-ha. Isso é bem muita coisa. Sei também que na hora que toca o meu despertador, todas as manhãs estão ainda escuras, mas claream-se por completo na hora em que eu o desligo, porque o sol nasce bem na minha janela no momento em que eu abro as cortinas do quarto, as 5h da manhã. Depois eu esbarro nas coisas, derrubo no chão, abrindo a boca de sono e achando a maior graça. E tomo banho frio, sentindo calor e dando risada as 5h da manhã. Fico aqui lembrando das as cenas, com tudo o que você disse e o que nem precisou. Revendo na minha mente as fotos dos lugares que a gente viu enquanto eu sonhava.
Sempre depois que eu sonho, você acorda tão na minha mente, e todos os outros parecem tão outros, que nem parece que passei o dia de ontem te dispensando. Já mudei de idéia agora de manhã, mas vou voltar a dispensar hoje. Não é por maldade não, mas eu me conheço. No fundo, eu morro de medo de parar de sonhar.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Hoje eu peguei um ônibus errado e fui parar numa feira barulhenta,

..às 7:00 da manhã. Fazia sol, e frio também.
Entre as caixas de caqui, caixas de ovos, cascas de laranja, eu vi uma menina correndo melando as bochechas com picolé derretido de morango. Tinha 4 anos no máximo: bochechas iguais às minhas, cabelos iguais aos que eu já tive, e dentinhos pequenos e da cor-de-rosa (das cores da rosa, da cor das rosas). Veio correndo na minha direção sem querer, e esbarrou em mim porque tava olhando pra trás. Me olhou com susto e riu “ái, moça!” tão gostoso e melado, que eu - a moça - tive uma certeza pequenininha que, naquela manhã tão fria, e tão de sol, o ônibus errado me deixou no lugar certo.

domingo, 11 de abril de 2010

tanto, tanto, tanto.. que nem parece.

é verdade que a gente prometeu não falar nada, mas veja bem - e eu estou apenas escrevendo -, concorde comigo que não precisa de muito segredo pra disfarçar uma coisa assim, tão improvável. Pode passar o dia do meu lado, que ninguém vai achar que estejamos realmente nos vendo. O dia inteiro sem olhar, sem falar, sem cosquinha e sem carinho no cabelo; sem implicar, sem segurar o riso, e sem sua cara de peixe quando eu tento ficar séria. E quase sem pensar também. Quem olhar a gente não se olhando, nunca vai saber o tanto que você é meu. Nem que na verdade, de verdade, você o é sem ser. Eu vejo seu telefone vibrar em cima da mesa e você desligar sem parar de me olhar e sem nem interromper o assunto, e fico pensando como é triste a vida dessas pessoas que não tem nada disso e simplesmente andam por aí, de mãos dadas. E atravessam as ruas de mãos soltas. Que se beijam à luz do dia, perto dos outros, e se abraçam nos ônibus, e comem em lugares caros juntos, e dormem juntos, e têm tudo tão permitido que nem tem mais graça rir da última vez que precisaram se esconder. Eu não posso te beijar na fila do banco daqui do bairro, nem falar de você quando as ex-amigas perguntam das novidades. Mas eu nem tenho vontade de reclamar disso, nem de nada. Já tá tão legal a gente se ter sem as nossas horas chatas de dar explicação, ouvir desculpas e lembrar data. É como ter um mundo paralelo, e não levar ninguém lá, por que ele é difícil de entender, ou por simples egoísmo mesmo que é se ter certas coisas boas e indivisíveis. Tipo você. E não ter mais no outro dia. E depois ter mais um pouco. Só pra me deixar imprevisível, e não enjoada. Prá me ensinar a jogar xadrez, ou me levar na praia e falar sobre férias, ou política, ou piada de gosto duvidoso.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Eu acho que pode

Daqui eu vejo você fazer essa cara de mau para caixa de som. Essa que você sempre faz quando tá assim, concentrado. Até parece que a caixa ficar com medo de você e parar com a chiadeira.
Daqui ‘eu fico olhando as tatuagens do seu braço e começo a pensar que pode dar certo’. Eu vejo as suas 3 cicatrizes nas costas e acho que pode dar muito certo. E eu me lembro; e eu acho engraçado.
Na primeira vez você me disse que as cicatrizes foram de facadas que você levou brigando no bar do Bob. E eu devo ter feito uma cara muito feia, porque você riu alto, fazendo muito barulho e duas covinhas. Gostou do meu susto e inventou mais umas 20 histórias pras mesmas cicatrizes. Uma pior do que a outra. Só bem depois ficou sério e me disse a verdade: foi a quilha da sua prancha. Ou da prancha do seu amigo, ou do inimigo, eu sei lá. Acho difícil prestar muita atenção nos detalhes quando você tá sério assim. Tipo agora. Tipo no dia em que eu falei que não ia voltar de moto com você. E que se acabasse acabando mesmo, eu nem ia sofrer tanto, porque ninguém perde o que nunca teve. Você fez aquela cara e, sinceramente, eu não me lembro direito do que você argumentou nem de como me convenceu. Mas eu sei de cor essa sua cara de mau. Essa nunca me enganou, nem nunca me botou medo. Você faz ela e não me deixa prestar atenção em muita coisa, e o tempo corre, e as coisas acontecem correndo também. Tão rápido que eu nem me dei conta, mas já Quase disse que tá tudo bem. Não me dei conta, e você já resolveu seu problema com a caixa de som, já passaram das cinco e já estamos voltando pra casa. De moto, haha. Não percebi e já to aqui, pertinho da sua cicatriz branquinha. Eu olho pra ela, e escrevo esse texto na minha mente. Eu termino o texto pensando que talvez pode – mesmo – dar tudo certo.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Bom dia

Bom dia, hoje é domingo, e está sol.
Domingos e sóis deixam a gente de bom humor, mesmo que eu não esteja. Mesmo que eu esteja falando mentira. Em verdade, em verdade, eu fico pensando que deveria estudar, que eu tenho que trocar o esmalte do pé, que ainda não tirei a roupa do varal. Em mais verdade, eu tô pensando em levantar agora e ir buscar o açaí na geladeira. Mas não vou não. Vou ficar aqui quietinha, porque eu quero te contar uma coisa. Eu menti sobre o sol, e sobre ser domingo também. Mas a parte do bom humor é pura verdade. Então, já que você quis saber pra que essa minha cara de criança antes de fazer arte, e vou contar pra você que eu não desisti. De verdade. Eu sei que eu andei um tempo tempo sem dar idéia, só com a compania de tudo que te irrita - e as vezes, acho que te assusta também. Eu não sei se te deixei com medo. Será que quando eu comecei a sair, você achou que eu estava mesmo indo embora? Tava não seu bobo. Querer eu quis, mas olha eu aqui fazendo de novo. Não viu ainda como eu sempre acabo voltando? Voltei de todas as vezes que eu fui, assim como vou voltar, depois que for buscar o açaí, aqui pro seu ladinho. Tá super na cara como eu sou previsível pra você, e você aí, deixando eu te enganar.. ai ai hein.
Enfim, só queria dizer mesmo o que eu já disse. Que apesar de estar correndo por fora, não desisti não. Já disse, agora vou buscar a parada. Mas depois, vou voltar e fazer o que sempre faço.